O que a emenda diz
- todo trabalhador passa a ter dois dias de descanso remunerado por semana, ou seja, a escala máxima vira 5x2;
- a jornada máxima cai de 44 para 42 horas por semana;
- depois, cai de novo, para 40 horas por semana;
- o salário não pode ser reduzido por causa da mudança.
Os prazos
As empresas têm 60 dias, contados da publicação da emenda, para adotar a escala 5x2 e a jornada de 42 horas. Pela previsão divulgada pelo Congresso, isso acontece em dezembro de 2026. A redução para 40 horas vem 12 meses depois, numa transição de cerca de 14 meses no total.
Empresas terceirizadas que prestam serviço para a administração pública têm 12 meses para se adaptar.
O que o trabalhador pode conferir
- depois do prazo, a escala precisa ter duas folgas por semana;
- o salário mensal precisa continuar o mesmo, mesmo com menos horas;
- as horas trabalhadas além do novo limite são horas extras, pagas com pelo menos 50% a mais;
- acordos de compensação e banco de horas precisam respeitar o novo limite.
Vale guardar a escala antiga e a nova, os holerites e os registros de ponto do período da mudança.
E as empresas?
Comércio, indústria e serviços que funcionam seis ou sete dias por semana vão precisar reorganizar as escalas, rever acordos de compensação e conferir o que diz a convenção coletiva da categoria. O governo anunciou medidas de apoio para micro e pequenas empresas.
Como fica o dia a dia
Cada empresa vai precisar redistribuir as horas da semana. A Constituição continua limitando a jornada normal a 8 horas por dia, com compensação de horários permitida por acordo ou convenção coletiva. Por isso, a forma de organizar os dias de trabalho pode variar de uma categoria para outra, mas o total da semana não pode passar do novo limite.
Banco de horas e compensação
Os acordos de banco de horas e de compensação feitos com base nas 44 horas semanais precisam ser revistos. As horas acumuladas antes da mudança continuam valendo e devem ser compensadas com folgas ou pagas dentro do prazo do acordo.
No sul de Santa Catarina
Na região de Criciúma, a mudança atinge principalmente o comércio, que costuma abrir aos sábados, e as indústrias com turnos, comuns em cerâmicas e confecções. Nesses setores, a convenção coletiva de cada categoria deve trazer os detalhes de como as escalas serão reorganizadas, e vale acompanhar o que o sindicato negociar.
Perguntas frequentes
O meu salário pode diminuir com a redução da jornada?
Não. A emenda proíbe reduzir o salário por causa da mudança de escala ou da redução de horas.
Ainda posso trabalhar aos sábados ou domingos?
Pode, dependendo da atividade e da convenção coletiva. O que a emenda garante é que a semana tenha dois dias de descanso remunerado. Quais serão esses dias depende da escala da empresa e das regras da categoria.
E se a empresa não mudar a escala no prazo?
As horas que passarem do novo limite devem ser pagas como horas extras, com pelo menos 50% a mais. Vale guardar as escalas, os holerites e os registros de ponto. O sindicato da categoria também acompanha a aplicação da regra.
Quando a mudança começa a valer?
As empresas têm 60 dias, contados da publicação da emenda, para adotar a escala 5x2 e a jornada de 42 horas, o que deve acontecer em dezembro de 2026. A redução para 40 horas vem 12 meses depois.
Quem já trabalha 40 horas por semana muda alguma coisa?
O total de horas já está dentro do limite final. Mas a escala precisa garantir os dois dias de descanso por semana, então quem trabalha seis dias, mesmo com menos horas por dia, também passa para a escala 5x2.
Fontes
- Agência Brasil: Senado aprova fim da escala 6x1 e redução da jornada (14/10/2026)
- Senado Federal: tramitação da PEC 221/2019
Este texto explica a mudança de forma geral e não substitui a análise de cada caso. Ele será atualizado conforme sair a regulamentação.